Caldas Novas - Goiás
História
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Bandeira do Município
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A história de Caldas Novas começou a mais de dois séculos. Foi em 1722, quando o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva (o filho), chegou aos sertões dos guaiases à procura de jazidas de ouro. Ao contornar as serras de caldas encontrou diversas fontes de águas quentes nas suas encostas, local que, mais tarde recebeu o nome de ribeirão de águas quente, hoje Pousada do rio Quente. Apesar de terem sido descobertas no inicio do século XVII, as fontes termais da serra de santa cruz ficaram praticamente esquecidas por mais de meio século. Os banhos termais eram privilégio apenas dos índios da região, que sabiam de seu valor medicinal e revigorante.
Em 1777, um garimpeiro paulista, Martinho coelho de Siqueira, vindo dos lados de santa cruz, embrenhou-se nas matas da região à procura de caça. Alertado pelo alarido de seus cães, correu na direção do barulho, crente de que havia algum animal por perto. No entanto, a sua surpresa foi grande ao deparar com os cães escaldados pelas águas quentes do lugar. Essa cena, no lugar conhecido como lagoa de Pirapitinga, tem grande importância para a história de Caldas Novas e está registrado em um belo quadro pintado a óleo por Félix Emílio Taunay, que já em 1962 constava num catálogo de exposição de pintura na escola de belas artes do rio de janeiro.
Assim , Martinho Coelho de Sirqueira é considerado o descobridor dessas terras, que hoje pertence ao município de Caldas Novas. Alguns, como o historiador Oscar Santos, o considera também o fundador da cidade, pois ele não apenas a região descobriu, como também nela se estabeleceu, construindo ali a primeira morada. Essa morada era a sede de sua fazenda, fazenda das Caldas, e, ainda hoje, embora modificada, está preservada dentro da propriedade do SESC.
Primeiros Habitantes
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Sabe-se que os primeiros habitantes desta região foram os índios da tribo caiapó e xavante. Em meio à aridez do sertão, esses índios viviam pacificamente. Como todos os nativos, andavam nus, alimentavam-se de caça e pesca, cultivavam, fabricavam suas armas, cerâmica, instrumentos musicais e trabalhos com fibra vegetal.
No ano de 1722, Bartolomeu Bueno Filho, filho do ''Anhanguera'', teve o primeiro contato com esses índios quando aqui descobriu as fontes principais de Rio Quente.
Seguindo os caminhos desse bandeirante, chega Martinho Coelho de Sirqueira a essa região, conhecida como Caldas de Santa Cruz (essa cidade, uma das mais antigas, está localizada a 69 km da atual Caldas Novas).
Dois fatores contribuíram muito para o povoamento da região: as águas termais e ouro que era farto às margens do córrego das caldas, na época denominado córrego das lavras. Entusiasmado com o manancial de águas quentes, Martinho coelho fixou residência ali, de olho também nas minas de ouro que se multiplicavam: apossou de uma vasta gleba de terra na localidade e construiu o sitio das caldas, em seguida requereu a sesmaria (direito de posse) das terras, legalizando suas propriedades, onde se dedicou ao garimpo de ouro. Logo a notícia da existência de ouro e do valor medicinal das águas se espalhou atraindo centenas de forasteiros e doentes, que construíram barracos às margens do córrego das lavras.
Martinho Coelho e seu filho Antônio, os proprietários do garimpo, também se preocuparam em construir banheiras de lajes de pedras com bicas de madeira para facilitar o uso das águas termais pelos inúmeros freqüentadores que buscavam o local.
Durante duas décadas Martinho Coelho de Siqueira trabalhou na mineração do ouro, coma ajuda dos escravos de sua propriedade e do filho Antônio Coelho de Siqueira. Quando percebeu que as reservas auríferas estavam se exaurindo, vendeu vários lotes de terra, deixando a fazenda de caldas para seu filho e depois mudou com o restante da família para meia ponte, onde morreu em 1916, deixando muitos herdeiros espalhados por caldas novas, Santa Luzia e Vila boa.
Seu filho Antônio Coelho de Sirqueira continuou a explorar o garimpo até este tornar-se totalmente improdutivo. ''Deste tempo de mineração ainda se podem perceber os rastros das escavações na terra deixados por aqueles garimpeiros''.
A fama das águas quentes já teria se espalhado ainda mais, atraindo inclusive o capitão-geral da província de Goiás, o governador Fernando Delgado de Castilho, para tratar de doença reumática, deslocou-se de Vila Boa até Caldas Novas, percorrendo cerca de 400 km em liteira, carregado por escravos, a fim de se tratar de um reumatismo que o deixara entrevado. Sendo recebido por Antônio Coelho, que para ele mandou construir uma banheira especial. O governador, tendo êxito na cura de sua doença, autorizou a propaganda oficial das águas termais, atraindo também em 1819, Auguste de Saint-Hileire,(o primeiro estrangeiro a pisar nesta região), famoso botânico e escritor francês que esteve aqui, financiado por Dom João VI para repouso e pesquisas.
Caldas Novas tinha , em 1842, cerca de 200 habitantes. Naquela época uma das primeiras aspirações das pessoas de uma localidade que estava se formando, era ter uma igreja. Em 1850, foi construída por Luis Gonzaga de Menezes, a igreja matriz, que é a mesma até hoje, tendo sofrido pequenas modificações.
Desde o descobrimento das águas termais de Caldas Novas até a segunda década do século 20,as pessoas tomavam seus banhos termais no córrego das lavras, hoje córrego da Caldas, que corta a cidade. Em 1910 foi construída a primeira casa de banho particular por Victor Ozeda Alla, mas foi em 1920,que o farmacêutico Ciro Palmerston construiu o primeiro balneário público, para atender à procura crescente de pessoas que vinham tratar da saúde. Os visitantes, chamados de ''aquáticos'', pela população local, costumavam se instalar em pequenos hotéis e pensões e se deslocavam para o balneário para tomar os banhos termais.
Emancipação
Liderados por Bento de Godoy vieram Orcalino Santos, Victor Ozeda Alla, João Batista da Cunha e outros. Eles chegaram à pequena vila que já começava a virar cidade a partir de 1900. A autonomia política, concedida a Caldas Novas, deu-se graças à solicitação destes à sede de Morrinhos.
Em 1911, por ordem de presidente do Estado, Urbano Gouveia, no dia 5 de julho nomeou Bento de Godoy como presidente da primeira intendência que foi instalada no dia 21 de Outubro. Desde então, nesta data se comemora o aniversário de Caldas Novas.
Foi durante sua administração (1911 a 1915) que Caldas Novas tomou um novo impulso para o desenvolvimento. A cidade crescia, graças à dedicação e grande força de vontade de: Bento de Godoy, Orcalino Santos, Victor de Ozeda Allá, João Batista da Cunha, Joaquim Rodrigues da Cunha, José Teófilo de Godoy, Orcalino Costa, Josino Ferreira Brettas, Modesto Pires do Oriente, Joaquim Gonzaga Menezes, Luiz Gonzaga de Menezes, Orosimbo Correia Neto, Olegário Pinto, Orlando Rodrigues da Cunha (Mestre Orlando), Oscar Santos e Celso Godoy.
Alem de muitos e muitos outros, são nomes que a história de Caldas Novas reverencia hoje e jamais as esquecerá.